Cortes cicatrizados que são cruelmente feridos outra vez - com navalha afiada fabricada por si mesma - onde encontram-se todas as novas sensações, perante uma mistura de cenas acontecidas e pensadas, imaginadas e não-concretizadas, e, junto delas, o resultado da multiplicação do medo com a insegurança, com a falta, com o abandono, com o escuro... Escuro ao extremo o buraco imenso, intenso e extenso, que se forma exatamente na região central do estômago, rasgando as paredes do mesmo e queimando, ao se espalhar, todos os outros órgãos que ali ainda deveriam existir, provocando rupturas e perdas de pedaços pelas partes, atrofiações e quebras de ossos, estouro de veias e hematomas pela pele, em meio à ânsia contínua de querer se auto-vomitar.
O cheiro enferrujado de sangue inunda as narinas, e a boca, e o copo de vidro, e a carne que se rasga e se destrói, com a futilidade de uma real não-existência, deixando um amargo e torturante gosto que entope as artérias e as faz explodirem até putrificarem por completo todo o resto do corpo que ainda respira em meio à sujeira deixada pelo asqueroso pedaço de carne sangrenta ao chão, agonizando por sua estúpida existência e à espera de sua completa perda de sentidos, para que se complete enfim, no conforto de sua única e indócil verdade: O vazio.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Cola líquida
Subiu as escadas correndo, um andar pulado, mais um, de dois em dois.
Quis ignorar qualquer parte escorregadia, molhada pela água que escorrera das portas, que inundara todo o andar, e toda a vila, e todo o espaço, e todo o mar. O mar que ela enxugava com os panos secos.
Tremeu ao pegar o amontoado de chaves que escorregara de sua mão, e girou uma, e outra, e outra vez. Qual era mesmo a chave certa?
Atormentada, telefonou. Reclamou e exigiu respostas, exigiu perguntas, exigiu uma qualquer importância, ou uma qualquer indignação. E a maldita chave que há muito não vira.
Então esperou. Sentou-se em cima de um tapete surrado entre a porta de madeira e as escadas de mármore. Decidiu forçar mais um pouco seu apetite por sono, por música, por tinta. Aliás, havia muita tinta fresca, por todo o corrimão.
Em vão, todo o esforço. Não era ninguém para a audácia da ligação, não era ninguém para qualquer transtorno alheio. E as têmporas voltaram a pulsar.
Ah, quem estava tentando enganar? Depois de todos aqueles jogos de montar sem resultado, e todas as casinhas de construção espalhadas pelo chão sem sucesso...
O vento derrubara tudo, mas por quê? Todas aquelas letras não teriam mais força que qualquer tempestade? Então por que a distância?
Fechou-se em sua mágoa e mordeu toda a chuva reprimida nos olhos. Não queria fazer nada disso, não queria estar sozinha naquele momento. Queria uma mão, uma pálpebra, uma máscara nova, a prova de ouvidos e olhares.
Quis ignorar qualquer parte escorregadia, molhada pela água que escorrera das portas, que inundara todo o andar, e toda a vila, e todo o espaço, e todo o mar. O mar que ela enxugava com os panos secos.
Tremeu ao pegar o amontoado de chaves que escorregara de sua mão, e girou uma, e outra, e outra vez. Qual era mesmo a chave certa?
Atormentada, telefonou. Reclamou e exigiu respostas, exigiu perguntas, exigiu uma qualquer importância, ou uma qualquer indignação. E a maldita chave que há muito não vira.
Então esperou. Sentou-se em cima de um tapete surrado entre a porta de madeira e as escadas de mármore. Decidiu forçar mais um pouco seu apetite por sono, por música, por tinta. Aliás, havia muita tinta fresca, por todo o corrimão.
Em vão, todo o esforço. Não era ninguém para a audácia da ligação, não era ninguém para qualquer transtorno alheio. E as têmporas voltaram a pulsar.
Ah, quem estava tentando enganar? Depois de todos aqueles jogos de montar sem resultado, e todas as casinhas de construção espalhadas pelo chão sem sucesso...
O vento derrubara tudo, mas por quê? Todas aquelas letras não teriam mais força que qualquer tempestade? Então por que a distância?
Fechou-se em sua mágoa e mordeu toda a chuva reprimida nos olhos. Não queria fazer nada disso, não queria estar sozinha naquele momento. Queria uma mão, uma pálpebra, uma máscara nova, a prova de ouvidos e olhares.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Cera
Era a próxima da fila.
Sentada em uma daquelas cadeiras desconfortáveis, que fazem as costas doer.
Percebeu o amontoado de gente que chegava, um atrás do outro, sempre a olhando com desprezo, insatisfação. Como se faltasse algo. Ou tivesse um algo em demasia.
Ignorou alguns olhares, e se concentrou em sua expectativa. Já era a próxima da fila, não precisaria se preocupar com o resto.
Impaciente, mexia as pernas, roía as unhas, mordia o lábio. Fechou os olhos e, em vez da escuridão, viu o abstrato cheio de cores. Cores enjoativas, enojantes, entorpecentes, e até viciantes. E em meio ao vício desgostoso, vomitou todas as lágrimas, todos os rasgos, todo o sangue que ali cozinhara em água fervente, toda a bile, toda a água engolida a força, todos os remédios de placebo, todas as ânsias, os anseios, e por fim, todas as noites perdidas.
Se levantou, se recompôs. Mas agora não havia mais ninguém lá.
Os estranhos, os apressados, os curiosos que ali há um minuto estavam, haviam deixado o local com aspereza, cuspindo no chão.
As horas passavam, mas agora nem mais a ansiedade a angustiava. Tudo já havia sido posto para fora, já não restava mais nada dentro de seu corpo abatido. Corpo e espírito.
Continuava como a única da fila.
E aguardava, sem nada pensar, sem nada olhar, ou esperar. Aguardava, em um ritmo incessante dos cílios a subir e descer, aguardava sua vez, como já aguardava há tempos.
Era triste, diziam, ver a menina sentada por todo aquele tempo naquela cadeira, naquele lugar úmido.
Não havia mais ninguém na sala, na casa, na rua. Apenas alguns olhos corajosos que de vez em quando tornavam a aparecer em frente à casa dos vidros quebrados.
Ela permanecia sentada, meio curvada.
Longe.
Aguardando.
Já era a próxima da fila.
Sentada em uma daquelas cadeiras desconfortáveis, que fazem as costas doer.
Percebeu o amontoado de gente que chegava, um atrás do outro, sempre a olhando com desprezo, insatisfação. Como se faltasse algo. Ou tivesse um algo em demasia.
Ignorou alguns olhares, e se concentrou em sua expectativa. Já era a próxima da fila, não precisaria se preocupar com o resto.
Impaciente, mexia as pernas, roía as unhas, mordia o lábio. Fechou os olhos e, em vez da escuridão, viu o abstrato cheio de cores. Cores enjoativas, enojantes, entorpecentes, e até viciantes. E em meio ao vício desgostoso, vomitou todas as lágrimas, todos os rasgos, todo o sangue que ali cozinhara em água fervente, toda a bile, toda a água engolida a força, todos os remédios de placebo, todas as ânsias, os anseios, e por fim, todas as noites perdidas.
Se levantou, se recompôs. Mas agora não havia mais ninguém lá.
Os estranhos, os apressados, os curiosos que ali há um minuto estavam, haviam deixado o local com aspereza, cuspindo no chão.
As horas passavam, mas agora nem mais a ansiedade a angustiava. Tudo já havia sido posto para fora, já não restava mais nada dentro de seu corpo abatido. Corpo e espírito.
Continuava como a única da fila.
E aguardava, sem nada pensar, sem nada olhar, ou esperar. Aguardava, em um ritmo incessante dos cílios a subir e descer, aguardava sua vez, como já aguardava há tempos.
Era triste, diziam, ver a menina sentada por todo aquele tempo naquela cadeira, naquele lugar úmido.
Não havia mais ninguém na sala, na casa, na rua. Apenas alguns olhos corajosos que de vez em quando tornavam a aparecer em frente à casa dos vidros quebrados.
Ela permanecia sentada, meio curvada.
Longe.
Aguardando.
Já era a próxima da fila.
sexta-feira, 31 de julho de 2009
01h07 am
Agora restavam só aquelas antigas palavras jogadas.
O que mudou os trejeitos e as feições em um correr (absurdo) de horas, mudou também a coerência, a clareza e a veracidade daqueles cálices finíssimos, lotados de promessas jorradas com tamanha elegância, de letras unidas e cospidas com tamanha certeza, a boca dentro, a boca pendente, a boca fora.
Hoje, é o assunto predominante nas línguas pessoais. Não, nada íntimo, é claro. Nada individual. Respostas escolhidas a dedo, suposições cortando cada pedaço que ainda ficou. E um resíduo do que foi dito, jurado e, parcialmente, esquecido.
Algo parecido com uma pedra, no meio de um lago. Um empecilho, um obstáculo.
Ou até como um prego sendo martelado por horas. Mas nunca fundo o suficiente.
Os rabiscos deixados por caneta e apagados com borracha.
Os papeis rasgados com repulsa, colados com saliva.
O cheiro forte e a náusea consequente, a nostalgia propriamente dita, por sua máscara de ferro.
O que mudou os trejeitos e as feições em um correr (absurdo) de horas, mudou também a coerência, a clareza e a veracidade daqueles cálices finíssimos, lotados de promessas jorradas com tamanha elegância, de letras unidas e cospidas com tamanha certeza, a boca dentro, a boca pendente, a boca fora.
Hoje, é o assunto predominante nas línguas pessoais. Não, nada íntimo, é claro. Nada individual. Respostas escolhidas a dedo, suposições cortando cada pedaço que ainda ficou. E um resíduo do que foi dito, jurado e, parcialmente, esquecido.
Algo parecido com uma pedra, no meio de um lago. Um empecilho, um obstáculo.
Ou até como um prego sendo martelado por horas. Mas nunca fundo o suficiente.
Os rabiscos deixados por caneta e apagados com borracha.
Os papeis rasgados com repulsa, colados com saliva.
O cheiro forte e a náusea consequente, a nostalgia propriamente dita, por sua máscara de ferro.
terça-feira, 28 de julho de 2009
Análise
Enxerga-se um raio forte atravessando uma, entre as tantas imensas janelas da casa no fim da rua. E, fixando-se bem o olhar, pode se enxergar o sorriso tranquilo irradiando nos dentes amarelados da menina deitada ao sol. Tomada pelo sol.
A questão que o reflexo, o único reflexo, dado pela única janela iluminada por todo o estabelecimento supõe, é a de um vazio. Buraco. Oco. Como desenhos rabiscados por crianças, sem sentido algum aos olhos adultos e objetivos ao observá-los. Tomados, porém, por todo um sentimento interno, uma realidade significante, cofidicada, de maneira inocente, pelas mãos de quem o traça. Talvez assim como essas linhas tortas.
"É uma casa."
"Minha família."
"Minha angústia."
Pois pode-se interpretar algo semelhante a isso.
Igualmente forte, igualmente gritante.
Um desenho entre linhas, decifrável, embora calado. Quieto. Tímido, até.
Tímido como um timbre soado suavemente, como um pigarro mal tossido, um olhar desviado, um choro reprimido.
E perante tantas suposições, tantos pensamentos, (in)compreensões, permanece calada, sorrindo, fatigada, a menina da janela, da casa cuja única janela predomina brilhante, por um sorriso fascinante, ofuscando todo o resto, em suas emoções exaustas, derrotadas e descontadas na contração dos lábios ao acordar, no seu merecido descanso, seu descaso, seu ensaiado progresso, amarelo.
A questão que o reflexo, o único reflexo, dado pela única janela iluminada por todo o estabelecimento supõe, é a de um vazio. Buraco. Oco. Como desenhos rabiscados por crianças, sem sentido algum aos olhos adultos e objetivos ao observá-los. Tomados, porém, por todo um sentimento interno, uma realidade significante, cofidicada, de maneira inocente, pelas mãos de quem o traça. Talvez assim como essas linhas tortas.
"É uma casa."
"Minha família."
"Minha angústia."
Pois pode-se interpretar algo semelhante a isso.
Igualmente forte, igualmente gritante.
Um desenho entre linhas, decifrável, embora calado. Quieto. Tímido, até.
Tímido como um timbre soado suavemente, como um pigarro mal tossido, um olhar desviado, um choro reprimido.
E perante tantas suposições, tantos pensamentos, (in)compreensões, permanece calada, sorrindo, fatigada, a menina da janela, da casa cuja única janela predomina brilhante, por um sorriso fascinante, ofuscando todo o resto, em suas emoções exaustas, derrotadas e descontadas na contração dos lábios ao acordar, no seu merecido descanso, seu descaso, seu ensaiado progresso, amarelo.
sábado, 27 de junho de 2009
Circo
Por toda parte, e por todo inteiro.
Perseguição, diluída na esponja, reprimida nos dedos, por obsessão.
Mais um passo, e um suspiro. Mais outro passo, e o silêncio.
Óleo, relva, névoa. O obscuro, o tormento. Incerteza e dor, dor que tortura o íntimo de modo que, aos gritos pulsantes entre os batimentos, só resta ao rosto contrair-se, em mais algumas ruas alagadas.
Desertos de benevolência, palcos vazios, inaplaudidos.
Num vazio paralelo, uma criança rodopia por entre as cochias, por entre os chicotes, o estalar de dedos, dedos em bocas, nas línguas faladas, gritadas, cuspidas, entonadas ao som de um velho vinil riscado.
E entre laços, balanços e palhaços, o espetáculo para ninguém. O ruído das portas se abrindo e fechando - Fantasmas risonhos e desenrolados, desenvolvidos, comunicados, como fora dito que chegariam, junto à frente fria.
Palmas e agradecimentos, risadas, taças a tilintar. Não se sabe o que mais brilha, entre as quatro rachadas paredes. Não se percebe o que está ofuscado, entre as quatro insanas paredes. Não se entende como há tanto, e tão pouco: Como vê-se tanto as cascatas cintilantes sobrenaturais como as poças intermináveis de sangue fresco, entre as quatro inexistentes paredes.
Perseguição, diluída na esponja, reprimida nos dedos, por obsessão.
Mais um passo, e um suspiro. Mais outro passo, e o silêncio.
Óleo, relva, névoa. O obscuro, o tormento. Incerteza e dor, dor que tortura o íntimo de modo que, aos gritos pulsantes entre os batimentos, só resta ao rosto contrair-se, em mais algumas ruas alagadas.
Desertos de benevolência, palcos vazios, inaplaudidos.
Num vazio paralelo, uma criança rodopia por entre as cochias, por entre os chicotes, o estalar de dedos, dedos em bocas, nas línguas faladas, gritadas, cuspidas, entonadas ao som de um velho vinil riscado.
E entre laços, balanços e palhaços, o espetáculo para ninguém. O ruído das portas se abrindo e fechando - Fantasmas risonhos e desenrolados, desenvolvidos, comunicados, como fora dito que chegariam, junto à frente fria.
Palmas e agradecimentos, risadas, taças a tilintar. Não se sabe o que mais brilha, entre as quatro rachadas paredes. Não se percebe o que está ofuscado, entre as quatro insanas paredes. Não se entende como há tanto, e tão pouco: Como vê-se tanto as cascatas cintilantes sobrenaturais como as poças intermináveis de sangue fresco, entre as quatro inexistentes paredes.
Funcionamento
Hiatos circundando locais movimentados, figuras acompanhadas, um pretérito mais-que-abandonado.
Ambíguo como uma boca com boca não deveria ser. Ilógico, como essas linhas demonstram ser.
Abismos jogados, punhais cortados.
E por toda essa lama que escorre dos olhos, pelo rosto e pelo corpo, num caminho sensual e imundo, escorre junto cada edifício, e cada construção, cada apelo, nu e entregue, em vão.
E que se quebre, que se leve pelo vento, às árvores a chacoalhar, num ritmo lento e estonteante, viciado, deslumbrante, e ilusório, por assim ficar.
Ilusão. Lógico. Redução ao psicológico. Numa confusão de entorpecentes irrelevantes e momentos, cenas marcantes.
Ambíguo como uma boca com boca não deveria ser. Ilógico, como essas linhas demonstram ser.
Abismos jogados, punhais cortados.
E por toda essa lama que escorre dos olhos, pelo rosto e pelo corpo, num caminho sensual e imundo, escorre junto cada edifício, e cada construção, cada apelo, nu e entregue, em vão.
E que se quebre, que se leve pelo vento, às árvores a chacoalhar, num ritmo lento e estonteante, viciado, deslumbrante, e ilusório, por assim ficar.
Ilusão. Lógico. Redução ao psicológico. Numa confusão de entorpecentes irrelevantes e momentos, cenas marcantes.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Ontem, amanhã.
Era como dizer em línguas tortas, palavras mortas, coisas que não se poderia dizer.
E veja como o vento faz os cabelos voarem... Como cada dia que passa o frio se aproxima.
Uma conturbação de neblina e anseio por novos ares, novos bares. Coisas tolas, que meus olhos demoram a enxergar. Necessárias.
Se a cada suspiro escapado desaparecesse uma marca, como seria?
A vontade de vivenciar mundos passados, lugares passados, pessoas passadas, memórias passadas e até lembranças reprimidas surge enquanto não sou levada pelo sono. E pelos sonhos.
Engraçado como os sonhos influenciam em nosso cotidiano. Os meus, pelo menos. Cada dia com menos cor. Menos sentido.
A realidade me amassa. Algumas vezes, me mantém. Me estraçalha. Me fortalece.
Confuso. Paradoxal. Minha própria existência, meu ego, minha rotina.
Em mais uma salada de comércio. Uma salada de ignorância acentuada.
Um café quente, para começar bem o dia. E continuar a sonhar. A sonhar o desconhecido.
E veja como o vento faz os cabelos voarem... Como cada dia que passa o frio se aproxima.
Uma conturbação de neblina e anseio por novos ares, novos bares. Coisas tolas, que meus olhos demoram a enxergar. Necessárias.
Se a cada suspiro escapado desaparecesse uma marca, como seria?
A vontade de vivenciar mundos passados, lugares passados, pessoas passadas, memórias passadas e até lembranças reprimidas surge enquanto não sou levada pelo sono. E pelos sonhos.
Engraçado como os sonhos influenciam em nosso cotidiano. Os meus, pelo menos. Cada dia com menos cor. Menos sentido.
A realidade me amassa. Algumas vezes, me mantém. Me estraçalha. Me fortalece.
Confuso. Paradoxal. Minha própria existência, meu ego, minha rotina.
Em mais uma salada de comércio. Uma salada de ignorância acentuada.
Um café quente, para começar bem o dia. E continuar a sonhar. A sonhar o desconhecido.
sábado, 23 de maio de 2009
Colo.
É só mais uma tempestade do lado de fora.
Logo menos aparece alguém para secar as gotas que restaram escorrendo na janela.
Logo mais o sol volta a raiar. Acredite, uma hora ele volta.
Cubra-se com o edredom mais quente que houver, essa noite será fria. Apenas aperte minha mão, e deite-se tranquilo.
A força seria essencial agora. Tente encontrá-la sem precisar desses comprimidos amargos. Ela está dentro de você... Difícil, sei. Mas sei que pode achá-la. Tem a minha ajuda.
Vamos, me deixe te abraçar, te passar nos braços, nas veias, nos olhos, tudo o que precisa.
Você vai vencer, e logo os ventos serão outros.
Logo o ar volta a ser respirável, as mãos param de tremer, as olheiras somem, as rugas cessam.
Elas cessam.
Logo menos aparece alguém para secar as gotas que restaram escorrendo na janela.
Logo mais o sol volta a raiar. Acredite, uma hora ele volta.
Cubra-se com o edredom mais quente que houver, essa noite será fria. Apenas aperte minha mão, e deite-se tranquilo.
A força seria essencial agora. Tente encontrá-la sem precisar desses comprimidos amargos. Ela está dentro de você... Difícil, sei. Mas sei que pode achá-la. Tem a minha ajuda.
Vamos, me deixe te abraçar, te passar nos braços, nas veias, nos olhos, tudo o que precisa.
Você vai vencer, e logo os ventos serão outros.
Logo o ar volta a ser respirável, as mãos param de tremer, as olheiras somem, as rugas cessam.
Elas cessam.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Nine O'clock
Sorrisos iluminando a noite, pedras chutadas ao longe por tênis surrados.
Avenida movimentada, fria, mas lubrificada por vozes envergonhadas, olhares constrangidos, que exalam uma alegria contida e intensa, adotada somente pela vivência do momento.
Horas jogadas fora, aproveitadas, caminhando sem pressa, apressadas. Mais duas horas, por favor. Mais três minutos, se possível.
Risadas abafadas, gostas de suor.
Depressa, mais depressa. O mundo não tem dono hoje, um universo sem governo, algum lugar inteiro.
E já são nove da tarde. Tarde da noite, que não tem fim. Já são nove da manhã.
Avenida movimentada, fria, mas lubrificada por vozes envergonhadas, olhares constrangidos, que exalam uma alegria contida e intensa, adotada somente pela vivência do momento.
Horas jogadas fora, aproveitadas, caminhando sem pressa, apressadas. Mais duas horas, por favor. Mais três minutos, se possível.
Risadas abafadas, gostas de suor.
Depressa, mais depressa. O mundo não tem dono hoje, um universo sem governo, algum lugar inteiro.
E já são nove da tarde. Tarde da noite, que não tem fim. Já são nove da manhã.
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