Ano passado fiz diferente.
Escrevi "tanto faz" num guardanapo e saí distribuindo no ano novo - pra ela, pra eles, pra tantos! E pra mim. Principalmente, pra mim.
Aconteceu que deu certo - e o resultado foi tão, mas tão positivo, que me serviu pra querer fazer exatamente igual. Só que, agora, no natal - em meio a toda essa birra, esse descaso, esse consumismo débil, essa ausência.
Em meio a todo esse novato-reencontro de desunião, que seja assim, enfim, ou mesmo que nem seja; tan-to-faz .
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
domingo, 23 de dezembro de 2012
Aqui, ninguém vai pro céu .
Em São Paulo você precisa escolher.
O ponto de ônibus & o trânsito-calor-suor-balanço ou o táxi & o trânsito-conforto-ar-condicionado-bolso.
O café & o tempo-fila-gastrite-energia ou o pão-na-chapa & o tempo-estômago-sono-padaria.
O emprego, o dinheiro e a exaustão ou as férias, a ansiedade e o ócio.
O individualismo, as pessoas e as noites ou o apego, a cama - única - e as manhãs.
As mudanças, os arrepios e o cheiro de tinta fresca ou as estabilidades, a segurança e o cheiro de sofá de casa.
Pra viver em São Paulo você precisa correr.
Você precisa chegar a tempo.
Você precisa entender - e acertar! - cada passo.
Pra sobreviver em São Paulo, você precisa ser adaptável.
Você precisa se acostumar com cheiro de feira, de mofo e de igreja.
Você precisa se acostumar com o cheiro das fumaças - de escapamento de carro, de churrasco, de maconha.
Você precisa se acostumar com cheiro de transporte público. De calor. De gente. De correria. De chuva. De cansaço. De suspiro.
De pingado. De cachaça. De cerveja.
De shopping. De fast-food. De futilidade.
De alegria. De transtorno.
De cinza. De colorido.
De caos.
Em São Paulo existe todo tipo de sinalização - pra onde todo-mundo-vai; pra onde não-ir-de-jeito-nenhum.
Pra existir em São Paulo, você não pode se perder.
Pra existir em São Paulo, dizem, você não pode amar.
O ponto de ônibus & o trânsito-calor-suor-balanço ou o táxi & o trânsito-conforto-ar-condicionado-bolso.
O café & o tempo-fila-gastrite-energia ou o pão-na-chapa & o tempo-estômago-sono-padaria.
O emprego, o dinheiro e a exaustão ou as férias, a ansiedade e o ócio.
O individualismo, as pessoas e as noites ou o apego, a cama - única - e as manhãs.
As mudanças, os arrepios e o cheiro de tinta fresca ou as estabilidades, a segurança e o cheiro de sofá de casa.
Pra viver em São Paulo você precisa correr.
Você precisa chegar a tempo.
Você precisa entender - e acertar! - cada passo.
Pra sobreviver em São Paulo, você precisa ser adaptável.
Você precisa se acostumar com cheiro de feira, de mofo e de igreja.
Você precisa se acostumar com o cheiro das fumaças - de escapamento de carro, de churrasco, de maconha.
Você precisa se acostumar com cheiro de transporte público. De calor. De gente. De correria. De chuva. De cansaço. De suspiro.
De pingado. De cachaça. De cerveja.
De shopping. De fast-food. De futilidade.
De alegria. De transtorno.
De cinza. De colorido.
De caos.
Em São Paulo existe todo tipo de sinalização - pra onde todo-mundo-vai; pra onde não-ir-de-jeito-nenhum.
Pra existir em São Paulo, você não pode se perder.
Pra existir em São Paulo, dizem, você não pode amar.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Devagar, o menino de vermelho levantou-se, esticando a camiseta.
Olhou para a menina sentada a sua frente, que, imediatamente, levantou o rosto em sua direção.
Deveriam ter a mesma idade. Uns dezesseis, dezessete. Estavam igualmente desconcertados.
Uma fração de segundo depois, desviaram o olhar. Ele saiu pela porta, antes do sinal, e ela voltou os olhos ao livro.
Sei lá quantos milhões de pessoas diferentes me passam assim, parecidos, pelo metrô.
Gente apressada-desmotivada, constantemente consumista de mais um milhão de motivos pra inventar complicação.
Essa tanta gente, que nem a gente, que quer viver tanto, mas vive tão pouco, por medo - do desconhecido, do abstrato, do incerto.
Um conglomerado etéreo incômodo atravessa o estômago desse um-mi-lhão-de-se-res no instante em que surge qualquer vestígio - qualquer estalo do que possa vir a ser: uma possibilidade.
Eu gosto é de me perder na neblina.
Olhou para a menina sentada a sua frente, que, imediatamente, levantou o rosto em sua direção.
Deveriam ter a mesma idade. Uns dezesseis, dezessete. Estavam igualmente desconcertados.
Uma fração de segundo depois, desviaram o olhar. Ele saiu pela porta, antes do sinal, e ela voltou os olhos ao livro.
Sei lá quantos milhões de pessoas diferentes me passam assim, parecidos, pelo metrô.
Gente apressada-desmotivada, constantemente consumista de mais um milhão de motivos pra inventar complicação.
Essa tanta gente, que nem a gente, que quer viver tanto, mas vive tão pouco, por medo - do desconhecido, do abstrato, do incerto.
Um conglomerado etéreo incômodo atravessa o estômago desse um-mi-lhão-de-se-res no instante em que surge qualquer vestígio - qualquer estalo do que possa vir a ser: uma possibilidade.
Eu gosto é de me perder na neblina.
Quase posso tocá-la. Quase posso tocá-los. Vento, cenário, sutiã.
Mais de mil objetos criados por um único ponto de vista. Incrível, como um ponto de vista pode criar (ou desmistificar) qualquer coisa - objeto, sensação, instante.
Naquele instante, senti pele, arrepio, coragem. E impulso.
Me reprimi em garrafas de nada, em palavras-risadas, em espera de tudo.
Quase, quase posso tocá-la, abstrata - logo atrás de todo o peso de oito paredes de concreto.
Mais de mil objetos criados por um único ponto de vista. Incrível, como um ponto de vista pode criar (ou desmistificar) qualquer coisa - objeto, sensação, instante.
Naquele instante, senti pele, arrepio, coragem. E impulso.
Me reprimi em garrafas de nada, em palavras-risadas, em espera de tudo.
Quase, quase posso tocá-la, abstrata - logo atrás de todo o peso de oito paredes de concreto.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Tempo de Pipa
Um sorriso, ela me deu. Ser sincero em um mundo governado por caos e complicação mostra um artifício humano surpreendente. Eu, desprovida de qualquer artifício de linguagem - em falta! - me perdi. Não esperava surgir esse preenchimento interno oblíquo, advindo de lábios semi-conhecidos, e sinceros. Foi de verdade, o sorriso.
Um ímpeto de dizer exatamente o que me surgia - e essa verdade-verdadeira seria qualquer algo como: "socorro! estou sentindo tão esquisito!"; uma energia estranha, que distende meus músculos, me agarra as pernas e me puxa para um local subterrâneo, imenso, muito além dos (meus) limites.
Não; não falei. Eu, que sou toda palavras. Toda intensidade. Imaturidade?
Sou qualquer conflito e sou qualquer apego. Qualquer ninguém - eu sou - e me transbordo, eterna, em precipícios de idealização. Mas nada disso importa, afinal, porque sei que você entende o subliminar existente num olhar; no meu.
Olha, me escuta, só um pouquinho: o que eu sinto (o que me impuseram sentir!) também me soa irônico, inconcreto, repelente. Adolescente? Que seja, que não seja, que seja e seja só: sincero.
E é.
O que me golpeia engraçado é que me expresso constantemente por elas - as palavras - e logo hoje, logo elas, me inventaram de fugir. E elas nunca fogem. Sempre presentes, correm coloridas por vasos e veias - corrente sanguínea plena, eu, que me rasguei em mil pedaços pra te escrever, falhei.
Sincera, minha mão sua. A caneta - culpada! - vacila.
Minha mão: sua. E esse calor, e esse chão, e essa verdade que só me faz querer voar.
Como dizer, em meio a toda essa falha - de comunicação, de caneta, de reação?
Eu, que já pensei tanta gente. Que já sorri tanta gente. Que já senti, e, sentindo, já entrei tanta gente. Eu quero; eu vou - mesmo sem antes bater, e mesmo que me barrem. Me dôo - e, algumas vezes, dói.
Você ainda está aí? Escuta, além de dor, queria te dizer que também faz ferver - sorrisos, sangue e expectativa. Mas, espera, não foge, não ainda - já me bastam as palavras!
A verdade sobre mim? Talvez seja isso que precise tanto te falar - e te escutar, a sua. A verdade é que sou branquela, beijo meninas - e meninos, e pessoas - tenho celulite e um mundo de inquietações. E um coração-clichê que me engloba a alma e me impede de mentir. A verdade é que tenho as mãos secas, que suam rápido quando escrevo intenso. Estou escrevendo intenso agora, enquanto, aos poucos, as palavras começam a acordar. E elas me contam - te contam! - que está um calor tremendo, e eu continuo aqui, tremendo, pra te falar que iria além da Europa e das ovelhas, iria além dos franceses e dos palcos mofados, por um instante nosso, num palco nosso; próprio - de meias coloridas e sorrisos sinceros.
Me conta de você?
Não; não falei. Eu, que sou toda palavras. Toda intensidade. Imaturidade?
Sou qualquer conflito e sou qualquer apego. Qualquer ninguém - eu sou - e me transbordo, eterna, em precipícios de idealização. Mas nada disso importa, afinal, porque sei que você entende o subliminar existente num olhar; no meu.
Olha, me escuta, só um pouquinho: o que eu sinto (o que me impuseram sentir!) também me soa irônico, inconcreto, repelente. Adolescente? Que seja, que não seja, que seja e seja só: sincero.
E é.
O que me golpeia engraçado é que me expresso constantemente por elas - as palavras - e logo hoje, logo elas, me inventaram de fugir. E elas nunca fogem. Sempre presentes, correm coloridas por vasos e veias - corrente sanguínea plena, eu, que me rasguei em mil pedaços pra te escrever, falhei.
Sincera, minha mão sua. A caneta - culpada! - vacila.
Minha mão: sua. E esse calor, e esse chão, e essa verdade que só me faz querer voar.
Como dizer, em meio a toda essa falha - de comunicação, de caneta, de reação?
Eu, que já pensei tanta gente. Que já sorri tanta gente. Que já senti, e, sentindo, já entrei tanta gente. Eu quero; eu vou - mesmo sem antes bater, e mesmo que me barrem. Me dôo - e, algumas vezes, dói.
Você ainda está aí? Escuta, além de dor, queria te dizer que também faz ferver - sorrisos, sangue e expectativa. Mas, espera, não foge, não ainda - já me bastam as palavras!
A verdade sobre mim? Talvez seja isso que precise tanto te falar - e te escutar, a sua. A verdade é que sou branquela, beijo meninas - e meninos, e pessoas - tenho celulite e um mundo de inquietações. E um coração-clichê que me engloba a alma e me impede de mentir. A verdade é que tenho as mãos secas, que suam rápido quando escrevo intenso. Estou escrevendo intenso agora, enquanto, aos poucos, as palavras começam a acordar. E elas me contam - te contam! - que está um calor tremendo, e eu continuo aqui, tremendo, pra te falar que iria além da Europa e das ovelhas, iria além dos franceses e dos palcos mofados, por um instante nosso, num palco nosso; próprio - de meias coloridas e sorrisos sinceros.
Me conta de você?
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Descubro, diariamente, novas façanhas que carregam o metódico-desesperado que reside em mim.
Em poucas horas, reverti excitação em impaciência; formatei a alegria no recipiente da ansiedade.
- Quantos segundos são necessários para a volta de um (novo) instante?
Tensionei a coluna num desequilíbrio intenso e assumi a complicação desapropriando-me de carinho.
Devolvi palavras engolidas; repensei pensamentos inventados.
Regurgitei minha ânsia por amor (mais, por favor!) .
Em poucas horas, reverti excitação em impaciência; formatei a alegria no recipiente da ansiedade.
- Quantos segundos são necessários para a volta de um (novo) instante?
Tensionei a coluna num desequilíbrio intenso e assumi a complicação desapropriando-me de carinho.
Devolvi palavras engolidas; repensei pensamentos inventados.
Regurgitei minha ânsia por amor (mais, por favor!) .
Eu vim pra te sorrir
Um por-acaso decidiu me pegar por encanto.
Há dias em que a arte é pura expressão.
Há noites em que a essência se expõe face-a-face; sem sílabas.
Era costume corriqueiro, de minha parte, descrever-me em atuações e me desleixar em energia sinestésica. Eles, sorrisos, me sorriam há meses - numa mesma intensidade, que eu olhava, sem ver.
Patifaria-epifania dos últimos tempos; o olhar transcendeu.
Eu, vitrine, larguei mão de atuar.
Há dias em que a arte é pura expressão.
Há noites em que a essência se expõe face-a-face; sem sílabas.
Era costume corriqueiro, de minha parte, descrever-me em atuações e me desleixar em energia sinestésica. Eles, sorrisos, me sorriam há meses - numa mesma intensidade, que eu olhava, sem ver.
Patifaria-epifania dos últimos tempos; o olhar transcendeu.
Eu, vitrine, larguei mão de atuar.
Assinar:
Postagens (Atom)