"Haviam chegado a um ponto em que verbalizar morcegos poderia arruinar tudo, mesmo que nada houvesse a ser arruinado. Mesmo que sequer houvesse morcegos."
É o que se pode esperar de um feriado cinza como esse. Terça feira, veja só, e com cara de domingo. Um domingo amargo, mais que café, mais que cigarro. Durou pouco.
Tudo culpa da cor. Um domingo cinza assim, e uma fotografia tão colorida, pra quebrar toda a moldura. Dessa vez, não escorreu só pelas paredes.
Como pode, me diga então, como pôde? Viver assim, num passado de "espinhos pra enganar o coração". É de minha índole, é sim, e assumo o que vier de reclamação.
Sei que conhece essa música: É longa, rasgante até. A tenho ouvido há alguns dias indefinidos, embora a tenha conhecido depois, é verdade. Pena não ter dado tempo - pena não ter sido eu quem lhe batia à porta para mostrá-la.
Hoje esvaziei mais um daqueles meus muitos frascos guardados de saliva. É que são tantos, que têm dias que o acúmulo me obriga a quebrar com força no chão algum mais sensível.
Sentimentalismo. Isso sim é que é uma merda.
"Ela é mais sentimental que eu, então fica bem se eu sofro um pouco mais".
Que se afundem os sentimentais. Sentimento sem açúcar, gosto de estragado.
Que se afundem, mais que eu, nesses copos sujos de água e limão, pra passar a ânsia - e formar mais um frasco pra aumentar a coleção.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
sábado, 4 de setembro de 2010
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Sei lá, as coisas parecem não andar de repente.
Me digo isso por vários dias - se não por todos os da minha vida.
Meio radical, eu sei, considerar toda uma existência, ainda mais de relativo pouco tempo. Mas é o que observo, uma análise impessoal: Própria! Como se por dentro sempre faltasse algo maior, menor... Tanto faz! Só precisa estar faltando alguma coisa útil. importante. necessária. im-pres-cin-dí-vel!
Minha essência, sempre uma peça a mais, a menos. Oito ou oitenta, é essa a definição.
Cólera, me falta umidade.
Insatisfação.
Me digo isso por vários dias - se não por todos os da minha vida.
Meio radical, eu sei, considerar toda uma existência, ainda mais de relativo pouco tempo. Mas é o que observo, uma análise impessoal: Própria! Como se por dentro sempre faltasse algo maior, menor... Tanto faz! Só precisa estar faltando alguma coisa útil. importante. necessária. im-pres-cin-dí-vel!
Minha essência, sempre uma peça a mais, a menos. Oito ou oitenta, é essa a definição.
Cólera, me falta umidade.
Insatisfação.
Algo como uma reafirmação
Gosto de escrever sobre as coisas que acontecem, relatar os fatos, descrever as cenas, os diálogos.
Me utilizo daqueles detalhes mais bobos, guardo palavras, entonações e formas de olhar.
Só não sei se escrevo por hábito, por que admiro o todo da minha observação, ou se deixo tudo guardado pra, quem sabe um dia ler, e ter a certeza de que as coisas aconteceram de verdade.
Me utilizo daqueles detalhes mais bobos, guardo palavras, entonações e formas de olhar.
Só não sei se escrevo por hábito, por que admiro o todo da minha observação, ou se deixo tudo guardado pra, quem sabe um dia ler, e ter a certeza de que as coisas aconteceram de verdade.
domingo, 15 de agosto de 2010
"Ei, idiota" - Era a única das muitas formas de chamar atenção que pôde ler - esta, na forma de uma mensagem encontrada na caixa de saída.
- Ele não me atende, não responde meus recados, ignora minhas mensagens. Ele não liga pra mim, e é por isso que gosto dele.
Uma pausa.
Mil cores e confusões, trocas de cena, de cenário. Bem assim, como uma peça mal ensaiada, mas de desfecho mais que significativo.
A carta lida com os olhos de choro, de raiva:
"O tempo passou, percebi que não é mais você. Nossas conversas não são mais tão fundamentais, como são as minhas com ele. A presença dele já é acima da sua, e eu preciso estar perto dele, muito mais do que preciso de você. Pensei um dia em reverter, bobagem. Descobri que ele é ainda muito mais interessante. Mais importante. Estou indo atrás dele, não me espere mais."
O sentimento que já nem soube explicar - ou não quis demonstrar, sequer para si.
O vácuo do momento, do resto dos dias.
Não quis mais conversar.
Acendeu o isqueiro, queimou a carta.
Se entregou ao sono mal dormido outra vez.
- Ele não me atende, não responde meus recados, ignora minhas mensagens. Ele não liga pra mim, e é por isso que gosto dele.
Uma pausa.
Mil cores e confusões, trocas de cena, de cenário. Bem assim, como uma peça mal ensaiada, mas de desfecho mais que significativo.
A carta lida com os olhos de choro, de raiva:
"O tempo passou, percebi que não é mais você. Nossas conversas não são mais tão fundamentais, como são as minhas com ele. A presença dele já é acima da sua, e eu preciso estar perto dele, muito mais do que preciso de você. Pensei um dia em reverter, bobagem. Descobri que ele é ainda muito mais interessante. Mais importante. Estou indo atrás dele, não me espere mais."
O sentimento que já nem soube explicar - ou não quis demonstrar, sequer para si.
O vácuo do momento, do resto dos dias.
Não quis mais conversar.
Acendeu o isqueiro, queimou a carta.
Se entregou ao sono mal dormido outra vez.
Surto psicótico das onze da manhã
Na maneira como se formam as palavras na mente, se englobam por uma grossa corrente por onde correm desenhos de cores, dores e música. Desenhos que dançam no meio de outros desenhos que ali se formam, entre estradas sinalizadas, caixas de correio, bailarinas na avenida, flores murchas voando no céu.
Vão todos correndo, palavras e desenhos, em linhas curvas formando um algo reto, e se jogando ao final da folha, fechando a corrente, preenchendo o espaço daquele que não voltará jamais a ser branco, o precipício rabiscado.
Vão todos correndo, palavras e desenhos, em linhas curvas formando um algo reto, e se jogando ao final da folha, fechando a corrente, preenchendo o espaço daquele que não voltará jamais a ser branco, o precipício rabiscado.
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