Descubro, diariamente, novas façanhas que carregam o metódico-desesperado que reside em mim.
Em poucas horas, reverti excitação em impaciência; formatei a alegria no recipiente da ansiedade.
- Quantos segundos são necessários para a volta de um (novo) instante?
Tensionei a coluna num desequilíbrio intenso e assumi a complicação desapropriando-me de carinho.
Devolvi palavras engolidas; repensei pensamentos inventados.
Regurgitei minha ânsia por amor (mais, por favor!) .
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Eu vim pra te sorrir
Um por-acaso decidiu me pegar por encanto.
Há dias em que a arte é pura expressão.
Há noites em que a essência se expõe face-a-face; sem sílabas.
Era costume corriqueiro, de minha parte, descrever-me em atuações e me desleixar em energia sinestésica. Eles, sorrisos, me sorriam há meses - numa mesma intensidade, que eu olhava, sem ver.
Patifaria-epifania dos últimos tempos; o olhar transcendeu.
Eu, vitrine, larguei mão de atuar.
Há dias em que a arte é pura expressão.
Há noites em que a essência se expõe face-a-face; sem sílabas.
Era costume corriqueiro, de minha parte, descrever-me em atuações e me desleixar em energia sinestésica. Eles, sorrisos, me sorriam há meses - numa mesma intensidade, que eu olhava, sem ver.
Patifaria-epifania dos últimos tempos; o olhar transcendeu.
Eu, vitrine, larguei mão de atuar.
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Não suporto extremos.
Me moldo em pedacinhos metálicos de diversos formatos que me carregam, sempre que possível, ao equilíbrio.
Não suporto choro-de-soluçar, mas odeio gargalhada-de-cuspir.
Não suporto o descaso com a euforia, mas odeio as paixonites grudentas.
Não suporto extremos.
Não convivo bem com o "nunca".
Não convivo bem com o "sempre".
E talvez seja por isso que me envolva, sempre, com todos os meus nuncas.
Ou por isso que nunca, em hipótese alguma, desgaste meus pra-sempres.
Imersa em meu meio-termo, subjugo-me extremista como ninguém.
Tenho meus "à flor da pele" mais rasgados que papel sensível.
Tenho meus "arranca-rabos" mais rasgantes que café quente.
Me consumo em debate com cada crítica gritada por mim.
Me transformo de muro inidentificável para vento intransponível.
Me moldo em pedacinhos metálicos de diversos formatos que me carregam, sempre que possível, ao equilíbrio.
Não suporto choro-de-soluçar, mas odeio gargalhada-de-cuspir.
Não suporto o descaso com a euforia, mas odeio as paixonites grudentas.
Não suporto extremos.
Não convivo bem com o "nunca".
Não convivo bem com o "sempre".
E talvez seja por isso que me envolva, sempre, com todos os meus nuncas.
Ou por isso que nunca, em hipótese alguma, desgaste meus pra-sempres.
Imersa em meu meio-termo, subjugo-me extremista como ninguém.
Tenho meus "à flor da pele" mais rasgados que papel sensível.
Tenho meus "arranca-rabos" mais rasgantes que café quente.
Me consumo em debate com cada crítica gritada por mim.
Me transformo de muro inidentificável para vento intransponível.
Acontece que hoje é dia de.
Hoje é dia porque estamos todos nessa mesma região semi-contorcida, lutando por qualquer semelhança, qualquer algo que nos permita fugir do universo ditatorial que nos institui, diariamente, o peso de ter pés alados.
Prazer instantâneo, sordidez e desafio. Nossos seres sustentados por outros corpos, outros copos. Almas viciadas e consequências descon-side-radas.
Nosso meio comum é um gole de seca e nosso ideal consiste em varrer, apenas para nós, todo o líquido; todo o alívio. Alívio esse, constituído pela leveza de ter os pés centrados. Uma emoção corriqueira em troca de uma consciência tranquila. Uma tradição retrógrada, vintage ultrapassada, de gente perdida em meio à própria noção do perder-se.
Necessitamos nomear cada passo. À direita, galocha. À esquerda, chinelo.
Permanecemos em contraste, apáticos, unidos por não pertencer, empáticos, a uma galáxia interligada ao vazio.
Estamos aquém.
A mando de quem?
Hoje é dia porque estamos todos nessa mesma região semi-contorcida, lutando por qualquer semelhança, qualquer algo que nos permita fugir do universo ditatorial que nos institui, diariamente, o peso de ter pés alados.
Prazer instantâneo, sordidez e desafio. Nossos seres sustentados por outros corpos, outros copos. Almas viciadas e consequências descon-side-radas.
Nosso meio comum é um gole de seca e nosso ideal consiste em varrer, apenas para nós, todo o líquido; todo o alívio. Alívio esse, constituído pela leveza de ter os pés centrados. Uma emoção corriqueira em troca de uma consciência tranquila. Uma tradição retrógrada, vintage ultrapassada, de gente perdida em meio à própria noção do perder-se.
Necessitamos nomear cada passo. À direita, galocha. À esquerda, chinelo.
Permanecemos em contraste, apáticos, unidos por não pertencer, empáticos, a uma galáxia interligada ao vazio.
Estamos aquém.
A mando de quem?
terça-feira, 28 de agosto de 2012
"All you can say, eu sei de cor"
Abriu a porta como quem abre um pote com biscoitos velhos. Olhou sem ver, desviou. Olhou rápido, de novo, e apertou a visão até surgirem as ruguinhas de sempre.
Ninguém precisa de óculos quando se tem o recurso das ruguinhas; Viu.
Abriu a porta como quem diz "eu voltei", com saudades.
Me disse: "Eu voltei!".
Me disse: "Estou bem".
Eu disse: "Estamos".
Me olhou com obrigação e me segurou, sustentando o olhar, como se as mãos fossem deslizes.
Me disse: "Não vou ficar".
Eu disse: "Não precisamos".
Me disse: "Eu não vou ficar".
Eu disse: "Não vamos".
Deslizou arrastado até minhas pernas e se ajoelhou como quem pede auxílio.
Primor de culpa, de lamentação, de solidez manchada a cândida, saliva e prazo.
Fez de mim barreira e eu o fiz explosão.
Elástica, me espreguicei.
Num abraço, desmoronamos.
Ninguém precisa de óculos quando se tem o recurso das ruguinhas; Viu.
Abriu a porta como quem diz "eu voltei", com saudades.
Me disse: "Eu voltei!".
Me disse: "Estou bem".
Eu disse: "Estamos".
Me olhou com obrigação e me segurou, sustentando o olhar, como se as mãos fossem deslizes.
Me disse: "Não vou ficar".
Eu disse: "Não precisamos".
Me disse: "Eu não vou ficar".
Eu disse: "Não vamos".
Deslizou arrastado até minhas pernas e se ajoelhou como quem pede auxílio.
Primor de culpa, de lamentação, de solidez manchada a cândida, saliva e prazo.
Fez de mim barreira e eu o fiz explosão.
Elástica, me espreguicei.
Num abraço, desmoronamos.
quarta-feira, 27 de junho de 2012
domingo, 17 de junho de 2012
Película
Meu problema consiste em ser.
Ser
infinita e ser ruminante. O prato feito nunca acaba, e é bonito repetir.
Pode
acarretar em uma ou outra perda qualquer, comum: um trem que chegou e não prestará
serviço, uma frustração intelectual pós-leitura ou uma fatia de pão mofado. O
essencial é que a perda, por si só, esteja acoplada à criação das setecentas e
tantas expectativas.
Ruminar
o infinito significa nada além de estagnar-se dentro de uma invenção.
Shoulder to shoulder
Eu quero viver escrevendo sobre meus amantes. Escrever
sobre cada detalhe, cada pedacinho daquilo que um dia eles, por vontade própria
e única, me mostraram. Gosto do detalhe, das aspas sem contenções. Gosto das
sombras, e das sobras mais íntimas que consigo raspar.
Gosto
quando o canto da boca ameaça sinceridade em um meio sorriso.
Gosto do puro, do não-ensaiado, do simples e do
leigo de qualquer entrega, em sua totalidade.
As pessoas pelas quais tenho maior interesse são as
infelizes. Não sei ao certo por quê.
Talvez
porque eu considere a exposição de sensibilidade uma das coisas mais bonitas
que já vi. A entrega dos pontos, o assumir que é assim e à merda com o orgulho.
A exposição do seu próprio ser, cru.
Sentimentos.
Mesmo que os piores, que os rasgantes. Porque mostram o desconforto em relação
à significação de cada passo que somos, diariamente, condicionados a arrastar.
Pessoas tristes sentem-se não-pertencentes.
Sentem-se alheias a um sistema em que sentir prazer é fundamental, e, mais
ainda, obrigatório. Se isolam porque, verdadeiramente, não sentem. E não há
remédio-floral-religião-auto-ajuda que vai fazê-los engolir e sorrir, mecânicos.
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