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É muito fácil sorrir pelo acaso do encanto de novas eras.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
domingo, 15 de agosto de 2010
"Ei, idiota" - Era a única das muitas formas de chamar atenção que pôde ler - esta, na forma de uma mensagem encontrada na caixa de saída.
- Ele não me atende, não responde meus recados, ignora minhas mensagens. Ele não liga pra mim, e é por isso que gosto dele.
Uma pausa.
Mil cores e confusões, trocas de cena, de cenário. Bem assim, como uma peça mal ensaiada, mas de desfecho mais que significativo.
A carta lida com os olhos de choro, de raiva:
"O tempo passou, percebi que não é mais você. Nossas conversas não são mais tão fundamentais, como são as minhas com ele. A presença dele já é acima da sua, e eu preciso estar perto dele, muito mais do que preciso de você. Pensei um dia em reverter, bobagem. Descobri que ele é ainda muito mais interessante. Mais importante. Estou indo atrás dele, não me espere mais."
O sentimento que já nem soube explicar - ou não quis demonstrar, sequer para si.
O vácuo do momento, do resto dos dias.
Não quis mais conversar.
Acendeu o isqueiro, queimou a carta.
Se entregou ao sono mal dormido outra vez.
- Ele não me atende, não responde meus recados, ignora minhas mensagens. Ele não liga pra mim, e é por isso que gosto dele.
Uma pausa.
Mil cores e confusões, trocas de cena, de cenário. Bem assim, como uma peça mal ensaiada, mas de desfecho mais que significativo.
A carta lida com os olhos de choro, de raiva:
"O tempo passou, percebi que não é mais você. Nossas conversas não são mais tão fundamentais, como são as minhas com ele. A presença dele já é acima da sua, e eu preciso estar perto dele, muito mais do que preciso de você. Pensei um dia em reverter, bobagem. Descobri que ele é ainda muito mais interessante. Mais importante. Estou indo atrás dele, não me espere mais."
O sentimento que já nem soube explicar - ou não quis demonstrar, sequer para si.
O vácuo do momento, do resto dos dias.
Não quis mais conversar.
Acendeu o isqueiro, queimou a carta.
Se entregou ao sono mal dormido outra vez.
Surto psicótico das onze da manhã
Na maneira como se formam as palavras na mente, se englobam por uma grossa corrente por onde correm desenhos de cores, dores e música. Desenhos que dançam no meio de outros desenhos que ali se formam, entre estradas sinalizadas, caixas de correio, bailarinas na avenida, flores murchas voando no céu.
Vão todos correndo, palavras e desenhos, em linhas curvas formando um algo reto, e se jogando ao final da folha, fechando a corrente, preenchendo o espaço daquele que não voltará jamais a ser branco, o precipício rabiscado.
Vão todos correndo, palavras e desenhos, em linhas curvas formando um algo reto, e se jogando ao final da folha, fechando a corrente, preenchendo o espaço daquele que não voltará jamais a ser branco, o precipício rabiscado.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
sexta-feira, 30 de julho de 2010
quinta-feira, 29 de julho de 2010
cicatriz
Não sei, não sei mesmo dizer o que me dá.
Me vem de repente, ou sei lá se permanece sempre aqui por perto, encoberto, e eu é que de repente me vejo revirando tudo em algumas partes do dia.
Às vezes me caem nas mãos todas as perguntas do mundo, vindas daquelas mais presentes inseguranças. Presentes, por tudo o que tem passado, que têm, que possuem um passado.
Mais que passado, já apodrecido, mas remendado, ou sei lá o quê, costurado, tatuado...
Aquele tipo de tatuagem espontânea, que você nunca quis, mas que foi colada lá, e que é tão difícil de tirar. Até mais do que se pensa, numa análise impessoal.
Eu nunca me senti tão desgastada por sentir medo do que possa vir.
Nunca tive problemas na questão 'entrega', ainda mais de forma intensa, como sempre foi tão simples surgir de mim.
Hoje me existe como um esforço enorme.
E eu daria todas as minhas forças para me sentir em paz de novo.
Arrancar isso de mim.
Me sentir gente. Uma gente com a mínima, que fosse a mínima tranquilidade.
Me vem de repente, ou sei lá se permanece sempre aqui por perto, encoberto, e eu é que de repente me vejo revirando tudo em algumas partes do dia.
Às vezes me caem nas mãos todas as perguntas do mundo, vindas daquelas mais presentes inseguranças. Presentes, por tudo o que tem passado, que têm, que possuem um passado.
Mais que passado, já apodrecido, mas remendado, ou sei lá o quê, costurado, tatuado...
Aquele tipo de tatuagem espontânea, que você nunca quis, mas que foi colada lá, e que é tão difícil de tirar. Até mais do que se pensa, numa análise impessoal.
Eu nunca me senti tão desgastada por sentir medo do que possa vir.
Nunca tive problemas na questão 'entrega', ainda mais de forma intensa, como sempre foi tão simples surgir de mim.
Hoje me existe como um esforço enorme.
E eu daria todas as minhas forças para me sentir em paz de novo.
Arrancar isso de mim.
Me sentir gente. Uma gente com a mínima, que fosse a mínima tranquilidade.
domingo, 18 de julho de 2010
É que é tanta gente procurando por algo que nem conhece!
Buscando um sei-lá-o-quê tão idealizado, e remoto.
Sem o controle, dessa vez. Muito mais complicado!
Tanta gente, ao mesmo tempo, sem nem saber.
Sem fazer ideia, sem entender, só aguardando.
Apostando!
Mais algumas tantas apostas a encarar por essas esquinas.
Haja disposição para enfrentar o 'cada dia'!
Buscando um sei-lá-o-quê tão idealizado, e remoto.
Sem o controle, dessa vez. Muito mais complicado!
Tanta gente, ao mesmo tempo, sem nem saber.
Sem fazer ideia, sem entender, só aguardando.
Apostando!
Mais algumas tantas apostas a encarar por essas esquinas.
Haja disposição para enfrentar o 'cada dia'!
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Neblina
Na hora exata de um dia ideal, construído com xícaras de açúcar.
Sombreado num tom de azul, mais claro ou mais escuro, momento sim, momento não.
Um momento para reflexão. Pausa, meditação - toda essa coisa mística que na realidade nem existe dentro de mim.
Existe mesmo aquele bom e velho trânsito matinal (que às vezes aparece também à noite.) Fumaça, Palha, Feno e Aço.
Todos mastigáveis, para fortalecer os dentes. "Só pra exercitar."
Mais algumas curvas à esquerda, passando as placas, a tal da contramão.
Pista cheia. Cheia da mais bonita neblina.
Ilusória, abstrata, bonita Neblina.
Me faça o favor de sumir daqui, então, comigo nas mãos.
Sombreado num tom de azul, mais claro ou mais escuro, momento sim, momento não.
Um momento para reflexão. Pausa, meditação - toda essa coisa mística que na realidade nem existe dentro de mim.
Existe mesmo aquele bom e velho trânsito matinal (que às vezes aparece também à noite.) Fumaça, Palha, Feno e Aço.
Todos mastigáveis, para fortalecer os dentes. "Só pra exercitar."
Mais algumas curvas à esquerda, passando as placas, a tal da contramão.
Pista cheia. Cheia da mais bonita neblina.
Ilusória, abstrata, bonita Neblina.
Me faça o favor de sumir daqui, então, comigo nas mãos.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Desaprendi a escrever sobre como eu gosto do abstrato que é certo, do olho no olho, do fio de cabelo. Desaprendi a cantar todos aqueles versos, os descobertos e os decorados, e aqueles trechos, e aquelas palavras, e...
Desaprendi próprias palavras, arranquei cotidianos, morri com aquela coisa embaraçosa, e até desconfortável, esperada. Isso mesmo, morri com o previsível.
Nunca achei que fosse dizer isso um dia, mas me parece tão estranha essa aparência renovada, varrida, colocada em baixo do tapete.
Poeira escondida, talvez. Esquisito, até pra mim.
Até quando?
Desaprendi próprias palavras, arranquei cotidianos, morri com aquela coisa embaraçosa, e até desconfortável, esperada. Isso mesmo, morri com o previsível.
Nunca achei que fosse dizer isso um dia, mas me parece tão estranha essa aparência renovada, varrida, colocada em baixo do tapete.
Poeira escondida, talvez. Esquisito, até pra mim.
Até quando?
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Aquele gélido fim de tarde fazia-lhe tremer por completo - bem que lhe avisaram da queda de temperatura que se seguiria pelo dia.
Os dedos frios nem se moviam, e os braços procuravam desesperados, entre eles, por algum calor. As pernas não paravam, embora estivesse, a própria menina, sem se mexer um centímetro.
Calafrios e tremores incessantes. Era mesmo obra do vento?
Não sabia.
Também, não importaria, já que em poucos minutos estaria aquecida, em sua pretensão.
Assoprou entre os dedos das mãos fechadas em punho, e tocou mais uma vez a campainha, desenjando por um segundo que não houvesse ninguém.
Mais um, dois...
três segundos contados, e a porta se abriu.
- Entre - ele sorriu.
- Tem certeza de que não vou incomodar? - "não, vá embora, vá embora!"
- Claro que tenho. E você também não me parece muito confortável aí, do lado de fora. Entre logo, anda. - ele parecia ansioso. Como se esperasse por algo. Como se esperasse não apenas por ela, mas por todo aquele momento, já há algum tempo.
- Mas e quanto à...? - desejou ser entendida e não ter que continuar a frase.
Sabia que funcionaria, estava explícito na forma como falava e como gesticulava.
"Menina estranha."
- Ah, não se preocupe. Ela já foi embora, não há mais o que temer. - e estendeu a mão, envolta por uma luva de lã.
Pensou mais uma vez em hesitar, mas não faria sentido. Já estava lá.
"Não há o que temer, não há o que temer, não há..."
Em passos rápidos, entrou quase que tropeçando no degrau da porta.
Entrou mesmo, e de uma vez, temendo.
...
Os dedos frios nem se moviam, e os braços procuravam desesperados, entre eles, por algum calor. As pernas não paravam, embora estivesse, a própria menina, sem se mexer um centímetro.
Calafrios e tremores incessantes. Era mesmo obra do vento?
Não sabia.
Também, não importaria, já que em poucos minutos estaria aquecida, em sua pretensão.
Assoprou entre os dedos das mãos fechadas em punho, e tocou mais uma vez a campainha, desenjando por um segundo que não houvesse ninguém.
Mais um, dois...
três segundos contados, e a porta se abriu.
- Entre - ele sorriu.
- Tem certeza de que não vou incomodar? - "não, vá embora, vá embora!"
- Claro que tenho. E você também não me parece muito confortável aí, do lado de fora. Entre logo, anda. - ele parecia ansioso. Como se esperasse por algo. Como se esperasse não apenas por ela, mas por todo aquele momento, já há algum tempo.
- Mas e quanto à...? - desejou ser entendida e não ter que continuar a frase.
Sabia que funcionaria, estava explícito na forma como falava e como gesticulava.
"Menina estranha."
- Ah, não se preocupe. Ela já foi embora, não há mais o que temer. - e estendeu a mão, envolta por uma luva de lã.
Pensou mais uma vez em hesitar, mas não faria sentido. Já estava lá.
"Não há o que temer, não há o que temer, não há..."
Em passos rápidos, entrou quase que tropeçando no degrau da porta.
Entrou mesmo, e de uma vez, temendo.
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