Gosto
quando o canto da boca ameaça sinceridade em um meio sorriso.
Gosto do puro, do não-ensaiado, do simples e do
leigo de qualquer entrega, em sua totalidade.
domingo, 17 de junho de 2012
Shoulder to shoulder
Eu quero viver escrevendo sobre meus amantes. Escrever
sobre cada detalhe, cada pedacinho daquilo que um dia eles, por vontade própria
e única, me mostraram. Gosto do detalhe, das aspas sem contenções. Gosto das
sombras, e das sobras mais íntimas que consigo raspar.
As pessoas pelas quais tenho maior interesse são as
infelizes. Não sei ao certo por quê.
Talvez
porque eu considere a exposição de sensibilidade uma das coisas mais bonitas
que já vi. A entrega dos pontos, o assumir que é assim e à merda com o orgulho.
A exposição do seu próprio ser, cru.
Sentimentos.
Mesmo que os piores, que os rasgantes. Porque mostram o desconforto em relação
à significação de cada passo que somos, diariamente, condicionados a arrastar.
Pessoas tristes sentem-se não-pertencentes.
Sentem-se alheias a um sistema em que sentir prazer é fundamental, e, mais
ainda, obrigatório. Se isolam porque, verdadeiramente, não sentem. E não há
remédio-floral-religião-auto-ajuda que vai fazê-los engolir e sorrir, mecânicos.
terça-feira, 1 de maio de 2012
Sobre uma leveza insustentável
Largar mão daquilo que é de graça, do que vem do lado, de dentro.
O que corrói é de um todo completo, e agrada em peso aos retalhos esgarçados.
Seria, inclusive, de interessante liquidez, não fosse a dificuldade em sustentar-se sobre um só palmo.
Sobre uma só pétala.
Seria, inclusive, de interessante liquidez, não fosse a dificuldade em sustentar-se sobre um só palmo.
Sobre uma só pétala.
Perfeito selvagem, eu diria, aquele que se constrói no raso do contato de um fim de tarde desconcertante.
Análise tipográfica, iconográfica e cefalométrica de uma - muito mais próxima do que distante, embora, ainda, estranha - oficina de idéias. O que lêem as mãos, lêem os olhos, e lêem o receio.
A reafirmação do ser humano como um ser de vísceras e cérebro em constante elasticidade.
A reafirmação do ser humano como um ser de vísceras e cérebro em constante elasticidade.
Um observar rasteiro diante dos muros sujos do outro lado do pátio.
Só podia ser histeria; jamais amor.
Só podia ser histeria; jamais amor.
sábado, 3 de março de 2012
Ser humano é ser social.
Ser humano é ser sentimento.
Não é pelo fato de não haver conhecimento profundo, em determinados pontos de observação, entre duas ou mais pessoas, que está impossibilitada a ideia de compartilhar uma crença, um pensamento, e, principalmente, uma emoção.
Imagens, músicas e textos se fundem em incessantes buscas para expressar aquilo que é impossível de ser verbalizado. Esses processos surgem intrínsecos e necessários, e são incansavelmente utilizados para aliviar tensões e para evitar que, por ventura, nos aventuremos a despencar nos abismos da depressão.
Não é de hoje que ouço sobre as-grandes-virtudes-abandonadas-e-substituídas-pelos-caprichos-vazios-dessa-nova-geração. Concordo que, atualmente, e sobretudo nos quesitos "pensar", "se relacionar" e "humanizar", há, de fato, muito a ser questionado. Mas considero inconcebível que o compartilhar de uma lágrima seja entendido e dado convictamente como falso, ou mero jogo de indiretas, única e simplesmente pelo fato de estar sendo gritado, mais uma vez, mudo, publicamente. Por que compartilhar um sorriso pode ser, então, permitido?
É do ser humano expressar-se, mostrar-se, sentir-se. É do ser humano ter consciência real da própria dor. É do ser humano identificar-se completamente - ou não - com o conteúdo expresso na linguagem subjetiva do outro.
Ser humano é ser necessidade de exteriorizar emoções.
E é ser golpeado pela vontade de poder mostrá-las ao mundo.
Assim como a literatura é vista como imortal por possuir virtudes atemporais, uma vez que a identificação espiritual entre leitor e escritor mostra-se como sua principal forma de denotar algum sentido à existência, essa mesma identificação é buscada pelo ser dentro do mais cru de sua cerne.
"Quem sou eu?"
"Eu sou assim"
"Eu quero ser assim"
"Eu quero que você me veja assim".
Um rabisco cravado ao corpo comunica ao mundo a apreciação que ele possui sobre determinado símbolo. A participação dele em determinado grupo. A entrega fluida a determinada arte. O lema, religiosamente seguido, que impulsiona todas as suas formas de agir.
A tatuagem nada mais é do que um entre tantos gritos mudos, cuja função consiste em mostrar um algo para um todo. Qualquer (des)conhecido é capaz de captar e reproduzir a mensagem visualizada - sendo essa compreendida na forma inicialmente idealizada ou não.
A verdade é que o ser humano vive constantemente na busca de mostrar ao universo aquilo que é e aquilo que tem. Aquilo que acredita.
Em eras digitais, o "compartilhar" tornou-se comum. Conhecimento, cultura e ideais.
Assim como, por muito tempo, o caderno pôde ser - e ainda é - visto como principal objeto usado para reprodução escrita das aulas lecionadas, ou usado para descrever afetividades pulsantes, hoje os Blogs e as Mídias Sociais advêm para tomar, gradualmente, seus lugares. Fato que não desvaloriza o mínimo da veracidade de um sentimento.
"Eu sou assim"
"Eu quero ser assim"
"Eu quero que você me veja assim".
Um rabisco cravado ao corpo comunica ao mundo a apreciação que ele possui sobre determinado símbolo. A participação dele em determinado grupo. A entrega fluida a determinada arte. O lema, religiosamente seguido, que impulsiona todas as suas formas de agir.
A tatuagem nada mais é do que um entre tantos gritos mudos, cuja função consiste em mostrar um algo para um todo. Qualquer (des)conhecido é capaz de captar e reproduzir a mensagem visualizada - sendo essa compreendida na forma inicialmente idealizada ou não.
A verdade é que o ser humano vive constantemente na busca de mostrar ao universo aquilo que é e aquilo que tem. Aquilo que acredita.
Em eras digitais, o "compartilhar" tornou-se comum. Conhecimento, cultura e ideais.
Assim como, por muito tempo, o caderno pôde ser - e ainda é - visto como principal objeto usado para reprodução escrita das aulas lecionadas, ou usado para descrever afetividades pulsantes, hoje os Blogs e as Mídias Sociais advêm para tomar, gradualmente, seus lugares. Fato que não desvaloriza o mínimo da veracidade de um sentimento.
Não é pelo fato de não haver conhecimento profundo, em determinados pontos de observação, entre duas ou mais pessoas, que está impossibilitada a ideia de compartilhar uma crença, um pensamento, e, principalmente, uma emoção.
Imagens, músicas e textos se fundem em incessantes buscas para expressar aquilo que é impossível de ser verbalizado. Esses processos surgem intrínsecos e necessários, e são incansavelmente utilizados para aliviar tensões e para evitar que, por ventura, nos aventuremos a despencar nos abismos da depressão.
Não é de hoje que ouço sobre as-grandes-virtudes-abandonadas-e-substituídas-pelos-caprichos-vazios-dessa-nova-geração. Concordo que, atualmente, e sobretudo nos quesitos "pensar", "se relacionar" e "humanizar", há, de fato, muito a ser questionado. Mas considero inconcebível que o compartilhar de uma lágrima seja entendido e dado convictamente como falso, ou mero jogo de indiretas, única e simplesmente pelo fato de estar sendo gritado, mais uma vez, mudo, publicamente. Por que compartilhar um sorriso pode ser, então, permitido?
O agradável é sempre certo.
O pesar alheio incomoda àqueles que carregam, em chamas apagadas, suas próprias barras de ferro.
É do ser humano expressar-se, mostrar-se, sentir-se. É do ser humano ter consciência real da própria dor. É do ser humano identificar-se completamente - ou não - com o conteúdo expresso na linguagem subjetiva do outro.
Uma aflição exteriorizada pode ser a mais enérgica das artes, quando, e, se, exteriorizada.
E ninguém tem nada com isso.
E todos falam. E todos vivem. E todos são, isso.
E ninguém tem nada com isso.
E todos falam. E todos vivem. E todos são, isso.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Sobre a imprevisibilidade que é ser matéria.
Fraqueza e Força decidiram competir: apostaram sobre quem seria capaz de abraçar mais intenso. Deu empate; e o silêncio se quebrou em lágrima ardida.
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Isso porque andei lendo bulas demais
Meus antecedentes inculpáveis me confirmam: nada mais válido que um crime passional.
Eu, agarrada aos sons e movimentos festivos de xícaras lascadas sobre uma velha mesa semi-posta, permaneço eternamente imersa nas linhas rasgadas de um Talvez.
sábado, 24 de dezembro de 2011
New Age
Abandonei por completo meu caderno retalhado durante esse ano. Talvez por falta de tempo, ou de tédio. Me parece piegas demais tentar discorrer sobre o-quanto-esse-ano-foi-diferente-e-maluco, então me contento em deixar registrado, apenas, que Novo e Antigo, ao mesmo tempo súbitos, foram os responsáveis pelas irregulares oscilações de todos os sentimentos dentro de mim. E eu, ao fim de cada flash desesperado, apenas me deixei ser.
Terminei de ler "O Estrangeiro" ontem e sinto que preciso de uma reabilitação urgente. Talvez eu devesse ter me sentido, de fato, à parte, lendo Camus. Engraçado... Só consegui sentir naturalidade. Como se entendesse a fundo a simples e constante aceitação exercida por Mersault. O básico do que seria um não-envolvimento-aprofundamento-ou-qualquer-outra-dessas-caralhas-sentimentalistas.
Talvez o fato de não andar mais trepensando minhas histórias cotidianas por aí seja o que vem me deixando mais assustada. Algo nos ambientes, nas pessoas ou nos acontecimentos desse ano me fizeram perder parte de algo íntegro que sempre considerei importante. Hoje quase não dá tempo de me arrepender de qualquer coisa. Estou constantemente esperando a próxima etapa. E tenho a impressão de que todos estão assim.
Estamos todos destinados a uma espécie de mundo oco. À completa perda da consciência, em seu sentido mais profundo. O foco de hoje é outro. No vazio.
Em meio a toda essa filosofia de bar, a única conclusão plausível que me ocorre é a de que estou inconformada simplesmente pelo fato de não conseguir me inconformar.
Bom, deve existir algo de bonito dentro disso tudo, afinal. Algo que me segure, talvez, para que eu não me esqueça do pedaço de mim que vez ou outra insiste em me gritar, mesmo em sussurros, "não desacredite, não desacredite, não desacredite..."
Feliz Natal (grande merda).
Terminei de ler "O Estrangeiro" ontem e sinto que preciso de uma reabilitação urgente. Talvez eu devesse ter me sentido, de fato, à parte, lendo Camus. Engraçado... Só consegui sentir naturalidade. Como se entendesse a fundo a simples e constante aceitação exercida por Mersault. O básico do que seria um não-envolvimento-aprofundamento-ou-qualquer-outra-dessas-caralhas-sentimentalistas.
Talvez o fato de não andar mais trepensando minhas histórias cotidianas por aí seja o que vem me deixando mais assustada. Algo nos ambientes, nas pessoas ou nos acontecimentos desse ano me fizeram perder parte de algo íntegro que sempre considerei importante. Hoje quase não dá tempo de me arrepender de qualquer coisa. Estou constantemente esperando a próxima etapa. E tenho a impressão de que todos estão assim.
Estamos todos destinados a uma espécie de mundo oco. À completa perda da consciência, em seu sentido mais profundo. O foco de hoje é outro. No vazio.
Em meio a toda essa filosofia de bar, a única conclusão plausível que me ocorre é a de que estou inconformada simplesmente pelo fato de não conseguir me inconformar.
Bom, deve existir algo de bonito dentro disso tudo, afinal. Algo que me segure, talvez, para que eu não me esqueça do pedaço de mim que vez ou outra insiste em me gritar, mesmo em sussurros, "não desacredite, não desacredite, não desacredite..."
Feliz Natal (grande merda).
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Três
Me apaixono por uma pessoa diferente a cada dia que nasço. Me entrego ao todo, imersa, e aí só enxergo o exclusivo do momento. Sem o "amor" de antes de ontem, que não é o mesmo de ontem, que não é o mesmo de amanhã. Sem nenhum deles, sem consequências e sem paredes. Só paixão, corriqueira, assim.
Nas minhas veias corre Encanto.
É de intensidade alternada a cada manhã histérica que me formo.
Intensa.
Que me sou.
Inteira.
Que me existo.
É por isso que a gente existe.
Por instantes.
Nas minhas veias corre Encanto.
É de intensidade alternada a cada manhã histérica que me formo.
Intensa.
Que me sou.
Inteira.
Que me existo.
É por isso que a gente existe.
Por instantes.
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